Este foi um dos primeiros texto produzido por mim neste blog, no ano de 2012, estava na farmácia do IAMSPE, me deparei com essa realidade, e lá mesmo saiu está produção.
SENHORES DO TEMPO
Olhando para vocês, estampadas no rosto estão as marcas do tempo que já se foi. Cada um tem o seu jeito.
Uns com rugas mais suaves, outros com marcas mais profundas. São sulcos que parecem contar o quanto a vida foi dura em outros tempos.
Caminham devagar, como quem tateia o chão, mas seguem adiante.
Outros, com um jeito intrépido, rompem o ar. Andam com segurança, com firmeza nos passos, como quem chega para decidir. Isso me faz lembrar do meu saudoso pai. Certamente, em sua juventude, não se curvou diante de tantas oposições.
Sempre decidido, um homem respeitado pela sua determinação.
Os senhores do seu tempo não permitem que as dificuldades do dia a dia os impeçam de ver a luz do sol.
Não perderam o hábito de despertar ao alvorecer. Cumprem seu ritual e até causam inveja em tantos jovens que deixam de ver o dia nascer, perdidos na madrugada.
Estes senhores vivenciaram tantos fatos, assistiram a tantas cenas. Se pudéssemos sentar ao lado deles para ouvir suas histórias inteiras, adquiriríamos tanta sabedoria e experiência que erraríamos muito menos.
Mas a realidade é bem diferente. Eu aqui descrevo os senhores do meu tempo e o que mais chama atenção é vê-los enfrentando filas por horas e horas na expectativa de ser atendidos. Vê-los no banco, esperando pacientemente por um funcionário que possa ajudá-los.
Vê-los na farmácia do Hospital do Servidor Público Estadual causa indignação em qualquer cidadão de bom senso. Depois de anos e anos de contribuição, de bons serviços prestados ao Estado e ao povo paulistano, esses senhores ainda precisam enfrentar filas para pegar medicamentos que poderiam ser entregues em suas casas.
Em época de eleição, tudo é lindo e maravilhoso. Falam de atendimentos médicos de primeiro mundo.
Citam as AMAs, os agendamentos de consultas por telefone, a entrega de remédios de uso contínuo em casa, o Dose Certa.
Descrevem tudo como se realmente funcionasse da forma anunciada. Mas a realidade é outra.
Para conseguir marcar uma consulta na rede pública de saúde é preciso ter perseverança.
No Hospital do Servidor Público Estadual a situação é ainda pior.
As consultas não são mais marcadas nos guichês.
Com a intenção de camuflar a fila de espera, os agendamentos passaram a ser feitos por telefone ou pela internet, em horário pré-estabelecido, a partir das 19h.
O drama vivido por estes senhores nos dias de hoje é motivo de vergonha para qualquer cidadão, seja do setor público ou privado.
É um desrespeito enorme ao idoso, à pessoa humana, a estes homens e mulheres que tanto serviram ao Estado.
Deram o melhor de si no desempenho de suas funções. Servidores públicos que se orgulham de dizer que serviram ao Estado com dedicação.
Contribuíram para que o Estado se consolidasse, cumprindo seu papel administrativo e gerenciando recursos para atender os contribuintes.
Formado em Ciências Biológicas pela Faculdade Profº José A. Vieira
Pós-graduado Lato Sensu em Saúde e Meio Ambiente pela Universidade de Lavras
Formação Acadêmica em Matemática pela UNIOESP
Artigo escrito por Profº Rosalvo Silva Filho